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Büchli Corretora de Seguros

Quanto de seguro de vida contratar: a conta do capital segurado

Seguro de vida

Publicado
Leitura
9 min
Por
Büchli Seguros

Contratar seguro de vida costuma seguir o caminho de trás para frente: procura-se um valor de mensalidade que caiba no orçamento e o capital segurado sai como consequência disso. O resultado aparece anos depois, no pior momento possível, quando a família descobre que a indenização cobre oito meses de contas. A ordem certa é a inversa — primeiro o número que a casa precisa, depois o preço que se ajusta a ele.

Resposta curta

Quanto de seguro de vida contratar?

Multiplique o gasto mensal da casa pelo número de meses que a família levaria para se reorganizar sem essa renda, some as dívidas que não morrem com o segurado e subtraia o que já está coberto (seguro da empresa, apólice antiga, reserva). O resultado é o capital segurado. O prêmio se ajusta depois, encurtando prazo ou revendo coberturas — nunca fingindo que a casa gasta menos do que gasta.

Por que o preço é a última pergunta

Capital segurado é o valor que a seguradora paga ao beneficiário. Prêmio é o que você paga por mês para manter esse valor de pé. São dois números diferentes e a conversa quase sempre começa pelo segundo, porque é o que aparece no anúncio e na simulação de trinta segundos.

O problema é que o prêmio é derivado: ele sai do capital, da idade de entrada e das coberturas escolhidas. Definir o prêmio primeiro é deixar o orçamento do mês decidir por quanto tempo a sua família fica de pé sem você — uma decisão que ninguém tomaria conscientemente.

Os quatro números que definem o capital

Não é preciso planilha nem consultoria financeira para chegar ao valor. São quatro perguntas, respondidas com o que você já sabe sobre a própria casa.

  1. 01Quanto a casa gasta por mês. O gasto, não o salário. Moradia, mercado, escola, plano de saúde, transporte e as contas fixas que continuam chegando no mês seguinte. Quem nunca somou isso erra para menos, quase sempre.
  2. 02Por quantos meses ela precisa ficar de pé. É o tempo até a renda se reorganizar: alguém voltar ao mercado de trabalho, um filho terminar os estudos, a família mudar de padrão com calma em vez de no susto. Vinte e quatro meses é piso para quem tem uma segunda renda em casa; sessenta faz mais sentido quando a renda era uma só e há filho pequeno.
  3. 03Que dívidas não morrem junto. Financiamento de veículo, consignado, cartão, dívida de empresa com aval pessoal. Tudo que continua sendo cobrado depois entra aqui, pelo saldo devedor de hoje.
  4. 04O que já está coberto. Seguro em grupo da empresa, apólice antiga ainda em vigor, reserva financeira de liquidez imediata e pensão por morte do INSS, quando houver direito. Esse é o único bloco que subtrai.

A conta fechada, com números na mesa

O quadro abaixo é um exemplo ilustrativo, montado só para mostrar a mecânica — não é um caso real nem uma cotação. Troque os valores pelos seus e a estrutura continua valendo.

Linha da contaDe onde saiValor
Gasto mensal da casaSoma das contas fixas do mêsR$ 9.000
Meses de reorganizaçãoRenda única, filho de 8 anos48 meses
Sustento da família9.000 × 48R$ 432.000
Dívidas que sobramConsignado + financiamento do carroR$ 70.000
Já cobertoSeguro em grupo da empresa, 24 salários− R$ 180.000
Capital a contratar432.000 + 70.000 − 180.000R$ 322.000

Repare no que não está na tabela: o financiamento do imóvel. Ele fica de fora de propósito, e o motivo está na próxima seção.

As três linhas que a conta quase sempre erra

Duas dessas linhas fazem o capital ficar grande demais, uma faz ele ficar pequeno demais. Todas as três aparecem com frequência quando alguém chega com a conta já pronta.

  • O financiamento do imóvel já tem seguro embutido. Contrato de financiamento imobiliário carrega um seguro obrigatório de morte e invalidez permanente que quita o saldo devedor. Somar o imóvel inteiro ao capital é pagar duas vezes pela mesma proteção. O que entra na conta é o que aquele seguro não cobre — e vale conferir na sua escritura qual é exatamente o alcance dele.
  • O seguro em grupo da empresa acaba junto com o vínculo. Demissão, pedido de conta ou aposentadoria encerram a apólice, em geral na idade em que contratar individual já custa mais caro. Ele entra na linha do que já está coberto, mas é a linha mais frágil da conta: quem depende só dela fica sem nada exatamente quando mais precisa.
  • A pensão por morte do INSS pode ter prazo. Desde a mudança de regra em 2015, a duração do benefício depende da idade do cônjuge, do tempo de casamento ou união estável e do número de contribuições — pode ir de alguns meses a vitalícia. Tratar como renda permanente sem conferir em qual faixa a família cai é o que mais distorce o resultado final.

Por que esse dinheiro chega antes do inventário

Essa é a parte que muda o peso do número que você acabou de calcular. A indenização de seguro de vida não é herança: ela é paga diretamente a quem está indicado como beneficiário na apólice, sem passar por partilha e sem depender do andamento do inventário.

No seguro de vida ou de acidentes pessoais para o caso de morte, o capital estipulado não está sujeito às dívidas do segurado, nem se considera herança para todos os efeitos de direito.
Código Civil, art. 794

Na prática isso significa três coisas: o capital não responde por dívidas deixadas pelo segurado, não entra na partilha entre herdeiros e é isento de imposto de renda (Lei 7.713/1988). O prazo de pagamento está escrito na apólice e costuma ser de trinta dias contados da entrega da documentação completa. É por isso que o seguro de vida funciona como o dinheiro que segura a casa enquanto o resto do patrimônio ainda está travado — um inventário leva de muitos meses a anos.

Quando refazer a conta

Capital segurado não é decisão de uma vez só. A conta é um retrato do que a casa gasta e do que a casa deve, e os dois mudam. Vale reabrir a planilha em qualquer um destes momentos:

  • Casamento, união estável ou separação — muda quem depende da renda e muda o beneficiário
  • Nascimento ou adoção de filho — normalmente é o evento que mais aumenta o número de meses
  • Financiamento novo, de imóvel ou de veículo
  • Troca de emprego, saída da empresa ou aposentadoria — sai o seguro em grupo da linha de subtração
  • Entrada em sociedade, quando o capital passa a ter também a função de comprar a quota de quem sai
  • Quitação de uma dívida grande, que puxa o capital necessário para baixo
  • Passagem de três ou quatro anos sem mexer em nada: inflação corrói capital fixo em silêncio

Com o número na mão, a etapa seguinte é comparar quem cobre aquele capital e por quanto. Coberturas, exclusões e carências de cada plano estão na página de seguro de vida — e se preferir fazer a conta acompanhado, é só mandar os dados que a gente fecha o cálculo com você antes de cotar.

Perguntas frequentes

Existe regra de bolso, tipo dez vezes a renda anual?

Existe e é útil como conferência, não como método. Dez vezes a renda anual serve para saber se você errou por muito, mas ignora as duas variáveis que mais mexem no número: quanto a casa realmente gasta (que costuma ser diferente do que ela ganha) e quanto tempo a família precisa. Faça a conta dos quatro números e use a regra de bolso só para checar se o resultado é plausível.

Dobrar o capital dobra o preço?

A parcela do prêmio referente à cobertura de morte é praticamente proporcional ao capital, então sim, ela acompanha. O que muda o total de forma menos previsível são a idade de entrada e as coberturas adicionais contratadas junto — doenças graves e invalidez por acidente pesam bastante. Por isso vale ver o comparativo antes de decidir cortar capital: às vezes o ajuste sai de outro lugar.

Quem não tem renda própria precisa de seguro de vida?

Precisa, e é o caso mais subestimado. Quem cuida da casa e das crianças em tempo integral está prestando um serviço que, na ausência, vira despesa: creche, escola em período integral, cuidador, transporte, alguém para dar conta da rotina. O capital nesse caso se calcula pelo custo de reposição desse trabalho, não por salário nenhum.

Dá para começar com capital menor e aumentar depois?

Dá, e é melhor do que adiar a contratação esperando o orçamento ideal. O ponto de atenção é que aumentar capital normalmente exige nova declaração pessoal de saúde e o prêmio da parcela nova segue a idade da alteração, não a da contratação original. Ou seja: começar menor é razoável, deixar para depois costuma sair mais caro.

O capital perde valor com o tempo?

Perde, se ficar parado. Um capital contratado hoje e nunca atualizado compra bem menos daqui a dez anos. Muitos planos preveem atualização anual do capital e do prêmio por um índice previsto na apólice — conferir se o seu tem essa cláusula, e qual é o índice, é parte da revisão.

Posso ter mais de um seguro de vida ao mesmo tempo?

Pode. Seguro de vida não é seguro de dano, não existe a regra de indenizar só uma vez o prejuízo: as apólices somam. É comum ter o seguro em grupo da empresa e um individual próprio, justamente porque o primeiro acaba quando o vínculo acaba. Na proposta, porém, declare os demais seguros quando for perguntado.

Cotação de seguro de vida

Manda os dados que a gente cota nas seguradoras e devolve o comparativo de coberturas, o mesmo quadro que dá para levar à assembleia. Se preferir resolver falando, o WhatsApp (11) 99339-6864 é o mesmo time.

Ficha de cotação

Sem compromisso

Este texto explica o que costuma valer no mercado. A redação final é sempre a da apólice contratada.

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